Como uma facção transformou cavalos de raça em peça-chave de um esquema milionário

  • 28/09/2026
(Foto: Reprodução)
Criminosos compram cavalos de raça para lavar dinheiro do tráfico Cavalos de raça avaliados em centenas de milhares de reais, leilões movimentados e haras de alto padrão estavam no centro de uma estratégia usada por integrantes da facção criminosa Nova Okaida para tentar dar aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, segundo investigação da Polícia Civil da Paraíba. As apurações apontam que o grupo movimentou cerca de R$ 150 milhões em apenas dois anos e utilizou o mercado de equinos como uma das principais ferramentas para ocultar a origem dos recursos. Cavalos comprados por valores elevados De acordo com a investigação, o esquema envolvia principalmente Yago Cavalcanti e Ivan Moura, conhecido como "Mauro Maromba". A dupla adquiriu diversos animais da raça Quarto de Milha, bastante valorizada em competições e eventos do setor. Apenas do haras ligado ao cantor Wesley Safadão, Yago teria comprado cinco cavalos avaliados em cerca de R$ 1 milhão. Ao todo, segundo a polícia, ele possuía 15 animais da mesma raça. No leilão em que alguns dos animais foram adquiridos, a marca de Wesley Safadão era utilizada. A polícia, porém, destacou que nem o cantor nem fornecedores ligados ao leilão são investigados. A assessoria do artista informou que os arremates ocorriam diretamente por meio da leiloeira e que não houve contato direto entre o cantor e os compradores. A investigação aponta ainda que Yago montou um haras no Rio Grande do Norte e que os cavalos eram frequentemente arrematados em leilões por valores considerados inflacionados pelos investigadores. Conversas interceptadas mostram os suspeitos discutindo preços dos animais e o potencial de valorização dos cavalos após as compras. Conversas mostram os suspeitos discutindo preços dos animais Foto: Reprodução/TV Globo Como funcionava a estratégia de lavagem Segundo o delegado Lucas Rothardand, os cavalos eram vistos pelos investigados como uma forma eficiente de transformar dinheiro ilícito em patrimônio aparentemente legítimo. A lógica era simples: adquirir os animais com recursos do tráfico e, posteriormente, revendê-los, permitindo que o dinheiro retornasse aos envolvidos com aparência de origem legal. Para a polícia, a comercialização de animais de alto valor oferecia vantagens aos criminosos porque envolve bens que podem sofrer valorização, têm negociação privada e circulam em um ambiente associado a produtores rurais, empresários e investidores. O coordenador da Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE), Afrânio Brito, afirmou que o grupo buscava se aproximar de um segmento respeitado da sociedade para ganhar credibilidade e ampliar sua rede de relacionamentos. Segundo ele, os investigados tentavam usar o universo dos cavalos para impulsionar seus nomes fora do ambiente criminoso. Luxo e tentativa de legitimação Além do aspecto financeiro, o mercado dos cavalos de raça também servia para sustentar uma imagem de sucesso e poder econômico. Segundo as investigações, os suspeitos passaram a frequentar ambientes ligados ao agronegócio e a eventos equestres, segmentos tradicionalmente associados a altos investimentos. Esquema fazia parte de uma estrutura maior As compras de cavalos eram apenas uma das frentes utilizadas pelo grupo para movimentar recursos, segundo a polícia. A investigação também identificou investimentos em agenciamento de artistas de forró, além da aquisição de imóveis, carros de luxo e jet-skis. Os investigadores afirmam que a facção obtinha recursos principalmente com o tráfico de cocaína, crack e skank. O dinheiro era então direcionado para diferentes negócios e empresas que serviriam para ocultar sua verdadeira origem. Um dos exemplos apontados pela polícia envolve uma empresa aberta pela esposa de Ivan Maromba. Embora declarasse renda modesta, ela teria movimentado R$ 144 milhões por meio da conta da empresa em apenas quatro meses, segundo a investigação. Prisões e bloqueio milionário A operação policial resultou na prisão de 13 suspeitos. Yago Cavalcanti foi detido enquanto tentava fugir por uma estrada da Paraíba. Já Ivan Moura foi encontrado escondido dentro de um box de cama após uma busca realizada por policiais com apoio de um cão farejador. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 144 milhões em contas ligadas aos investigados. Eles poderão responder por organização criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. Como uma facção transformou cavalos de raça em peça-chave de um esquema milionário Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/09/28/como-uma-faccao-transformou-cavalos-de-raca-em-peca-chave-de-um-esquema-milionario.ghtml


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